Ouvi dizer que os astrônomos têm um pacto com a humildade, que a ciência sideral escancara nossa pequenez. Percebi nisso um esforço quase perverso de nos manter em repouso, concentrados em uma ética por demais egoísta.
Como poderia eu não sentir soberba ao olhar para um céu infinito, enxergar o brilho magnético de uma estrela, pensar que ela abandonou a própria galáxia e viajou apressada pelo cosmo infinito somente para me trazer sua lucidez? Seria possível não sentir um orgulho grandioso em saber que tal estrela fez tudo isso depois de morta?
Com essas perguntas, já encontrei minhas respostas. Porém, ainda me pergunto: o que pensariam de mim se soubessem da soberba pecaminosa que sinto ao enxergar uma galáxia? Bilhões de estrelas que não me exigem retribuição alguma, apenas morrem para que eu possa apreciar um pouco de brilho e luz, sempre que meu peito se angustiar em perguntas… Desisti da astronomia.