Outra vez a mesma história. A busca inquieta por satisfação, o prazer egoísta, o desejo insano de retribuição. Vertigem, cegueira, vício, lixo, intoxicação.
O rio segue o mesmo curso: riso, prazer, gozo e choro. Paixão é o esgotamento da razão, são seus 99,9% chimpanzé, sobressaindo ao milésimo racional que nos diferenciam. Paixão é mordaz, amor é fugas. Topada, frenesi, colapso, lapso.
Amor retira seus olhos do chão e os assenta em constelação. Amor é anseio. Tudo não passa de ego, implexo, nexo, desfecho. É o caos, é a lama. Amor é ego, paixão é ista.
Egoísta, Egoísta, egoísta, egoísta, egoísta, egoísta, egoísta.
Assina: Narrador.
[...]
Não, tudo isso está absolutamente incorreto. Na verdade, caro leitor, acima, temos representação poética de um caso autêntico de amor ferido, não correspondido. Percebam as várias tentativas do narrador em expressar sua ira, tentativas desesperadas, e até (pasme!) científicas. Uma ânsia de ferir com palavras rimadas.
É isso que acontece quando o amor é destratado. Versos mordazes o definem, egoísta é você, narrador! Tanto e a tal ponto que ficaste cego. Por que simplesmente não ofereceste teu amor, sem nada pedir em troca? Por que tiveste a indecência de assassinar a doçura do teu coração?
Engole teu egoísmo, tua vertigem, tua cegueira, teu vício, teu lixo, tua intoxicação. Fica com teu frenesi, teu colapso, teu lapso, teu ego, teu implexo, teu nexo, teu desfecho. Egoísta, egoísta, egoísta, egoísta, egoísta, egoísta.
Do amor, só saberás quando amar.
Assina: Narrador – Daniela Leite, crítica do meu proprio eu-lírico.