A madrugada é minha amante. Vou anoitecer e lhe perguntar os meus segredos. Sair de mim e pegar esse trem pras estrelas, nem sei pra onde. Transformar as minhas dúvidas em um lençol acolhedor e as mágoas em café quentinho, encher a xícara de um coração vazio.
Essas metáforas todas me cansam, tem alguma coisa de mim se perdendo, muitos pedaços meus estão jogados por aí e exijo que ninguém olhe para o meu chão. Não penso em resgatar coisas velhas, o passado é lixo. Vejo-me mesquinha, trágica e soturna. Ainda não tão cedo, mas ainda assim, quero saber aonde esses meus rastros vão levar.
Há muito tempo eu amanhecia para criticar o mundo, as coisas do mundo e as pessoas com suas coisas e seus mundos. Essa noite foi singular, há horas tentando tirar as cascas das minhas feridas, há horas fingindo que não tenho feridas dentro de mim.
Já está quase a amanhecer e eu preciso me apressar, tenho que me decifrar, encontrar-me em alguma resposta ou talvez me reinventar em uma mentira. Os pássaros já cantam. E estou quase entrando em colapso, tenho os minutos contados para o sol nascer.
Doeu. Uma dor espinhosa, uma repugnância vampiresca, um pânico demasiado… Feriu, entorpeceu e modificou, mas encontrei a minha resposta, ao menos a primeira. Deixei pra lá, talvez isso tudo aconteça somente por eu querer ser filha única.
Amanheci.

Amanheci? Decifrou-se?
A busca pelo auto-conhecimento deve ser algo natural; não deve gerar presa, angústia.
Apenas uma?
Fantástico! São poucos os que buscam isso, o que torna uma descoberta fantástica. Esteja atenta!
Filha única! Exerce certa influência. Com sua busca, podemos tornar a vida mais doce e agradável para aqueles que estão do nosso lado.
bom de mais…
sempre encantada com você!
EU PAGO PAAAAAAAAAAAU
bjo